Desportos Disponiveis Para Apostas em Portugal: A Oferta Completa

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A gama desportiva nas casas de apostas portuguesas
A primeira vez que abri uma plataforma de apostas licenciada em Portugal, fiquei surpreendido com a extensão do menu. Esperava futebol, ténis, basquetebol — os suspeitos do costume. Encontrei andebol, voleibol, hoquei no gelo, MMA, dardos, snooker, desportos motorizados e dezenas de outros. A gama é impressionante, mas a realidade do usó é muito mais concentrada do que o menu sugere.
Em 2025, o futebol representou 75,6% de todas as apostas desportivas feitas em plataformas licenciadas em Portugal. Tres quartos do mercado inteiro. O ténis ficou em segundo com 10,6% e o basquetebol em terceiro com 9,6%. Estes três desportos, juntos, captam mais de 95% do volume. Tudo o resto — dezenas de modalidades — divide os remanescentes 5%.
Esta concentração não significa que os outros desportos sejam irrelevantes. Para apostadores especializados, os mercados de nicho oferecem oportunidades que os mercados principais não dão. Mas é importante perceber a escala: quando falamos do mercado português de apostas desportivas, estamos, na prática, a falar de futebol com ténis e basquetebol como complementos.
Distribuicao por desporto: futebol 75,6%, ténis 10,6%, basquetebol 9,6%
Os dados do SRIJ não deixam margem para interpretação: o futebol e absolutamente dominante. A Primeira Liga portuguesa lidera o volume domestico, seguida pela Premier League e pela Champions League. Em dias de classicos ou eliminatorias europeias, o futebol chega a representar mais de 80% do volume total.
O ténis beneficia de um calendario ininterrupto. Há torneios todas as semanas, em todos os fusos horarios, o que garante oferta constante. Os Grand Slams — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — são os picos, mas os Masters 1000 e os torneios ATP/WTA menores sustentam um fluxo regular que preenche os intervalos do futebol.
O basquetebol e, na prática, sinónimo de NBA para o apostador português. A liga americana domina 58,6% de todas as apostas de basquetebol feitas em Portugal. A Euroliga e as ligas europeias contribuem com o restante, mas a uma distância considerável. O horario nocturno dos jogos da NBA (23h-04h em Portugal) limita o basquetebol ao apostador dedicado.
O andebol, o voleibol e o hoquei no gelo aparecem na oferta da maioria dos operadores, com mercados para as principais competições europeias e mundiais. O volume de apostas e residual em termos percentuais, mas existe. O MMA — com o UFC como referência — tem vindo a crescer como opção, sobretudo entre apostadores mais jovens que acompanham a modalidade nas redes sociais.
Outros desportos: hoquei, MMA, desportos motorizados e mais
Para la do top 3, a oferta varia significativamente entre operadores. Os mais robustos — geralmente os com infraestrutura global — oferecem mercados para dardos, snooker, cricket, golfe, ciclismo, atletismo (em grandes eventos) e desportos motorizados (Formula 1, MotoGP, Rally).
Os desportos motorizados tem uma particularidade: as apostas são quase exclusivamente pre-corrida. O live betting em F1 ou MotoGP é limitado — as voltas sucedem-se rapidamente e os operadores tem dificuldade em ajustar odds em tempo real com a mesma precisão que no futebol ou ténis. Os mercados mais comuns são vencedor da corrida, podio, vencedor de qualificação e head-to-head entre dois pilotos.
O golfe é outro desporto presente com cobertura variável. Os quatro Majors — Masters, PGA Championship, US Open e The Open — geram mercados extensos. Fora desses eventos, a oferta depende do operador. O golfe atrai um perfil de apostador muito específico: alguém que conhece profundamente os jogadores, os campos e as condições — é que esta disposto a apostar em torneios de quatro dias com resultados que dependem de dezenas de variaveis.
O cricket, popular em mercados como o Reino Unido e a India, tem presença limitada nos operadores portugueses. Esta disponível para as grandes competições (IPL, Ashes, ICC Cricket World Cup), mas o volume de apostas em Portugal e insignificante. É um desporto que esta no menu mais por cobertura global do operador do que por procura local.
O MMA, com o UFC como principal produto, tem conquistado terreno nos últimos anos. Os eventos de UFC são transmitidos ao vivo em muitas plataformas, e a simplicidade dos mercados (vencedor, método de vitoria, ronda de finalização) torna-os acessíveis para apostadores que não conhecem profundamente a modalidade. Os eventos principais — numerados, com cards de título — geram picos de atividade visíveis, mesmo que o volume total permaneça marginal face ao futebol.
eSports: por que não é possível apostar em Portugal
Esta é uma das perguntas que mais recebo de apostadores jovens: “Possó apostar em eSports em Portugal?” A resposta é não. O SRIJ não autoriza apostas em competições de videojogos nas plataformas licenciadas. Não é uma questão técnica — é uma decisão regulatoria.
O Decreto-Lei 66/2015 define as apostas desportivas a cota fixa como apostas sobre “eventos desportivos”. O SRIJ interpretou esta definição de forma restritiva, excluindo os eSports do ambito das apostas legais em Portugal. A razao oficial prende-se com a dificuldade de regulação e supervisão de competições eletrónicas, onde as questões de integridade — manipulação de resultados, usó de software não autorizado — são mais complexas do que nos desportos tradicionais.
Para os operadores, é uma oportunidade perdida. Os eSports são um dos segmentos de apostas com maior crescimento a nivel global, e a sua ausência do mercado regulado português empurra os apostadores interessados diretamente para plataformas não licenciadas — contribuindo para os 41% de jogadores que usam o mercado ilegal. A APAJO tem argumentado que a inclusão regulada dos eSports poderia captar parte deste público para o mercado legal.
Ate que hajá uma revisão legislativa, os eSports continuarao fora da oferta legal em Portugal. Quem quiser apostar em League of Legends, CS2 ou Dota 2 terá de o fazer em plataformas sem licença SRIJ — com todos os riscos que isso implica.
Na minha opinião, a exclusão dos eSports é um dos maiores erros estrategicos da regulação portuguesa atual. O perfil demográfico do mercado — com 77% dos jogadores abaixo dos 45 anos e 36% dos novos registos na faixa dos 18-24 — é exatamente o público que mais consome eSports. Manter esta modalidade fora do mercado regulado e empurrar deliberadamente uma geração inteirá de potenciais apostadores para plataformas que não oferecem qualquer proteção.
Perguntas frequentes sobre desportos disponíveis
E possível apostar em eSports nas casas legais em Portugal?
Não. O SRIJ não autoriza apostas em competições de eSports nas plataformas licenciadas em Portugal. A interpretação regulatoria exclui os videojogos competitivos do ambito das apostas desportivas a cota fixa previstas no Decreto-Lei 66/2015.
O SRIJ define quais os desportos em que se pode apostar?
O SRIJ regula as apostas sobre eventos desportivos, mas não pública uma lista fechada de desportos autorizados. A decisão sobre quais modalidades incluir na oferta cabe a cada operador, desde que se tratem de competições desportivas reconhecidas. A exceção notável são os eSports, explícitamente excluídos.